O scooter passou o inverno a seco, com os rotores desmontados e lubrificados e a bateria em repouso. Chega o primeiro fim de semana de bom tempo e a tentação é tirá-lo do armário, carregá-lo e partir. É precisamente aí que se joga metade das avarias de início de época: não na água, mas nos vinte minutos que a precedem.
Eis a reposição em serviço, por ordem. Retoma ponto por ponto o que se fez no outono — em sentido inverso.
1. Os rotores: limpar a massa, não a deixar
A massa aplicada no outono fez o seu trabalho: manteve a corrosão à distância durante seis meses. Mas tem também uma propriedade que se esquece — retém a areia. Partir com a camada de inverno é fabricar uma pasta abrasiva logo na primeira saída numa praia.
Limpa-se então a massa com um pano macio, voltam a montar-se os rotores e fazem-se rodar à mão. Devem rodar livremente, sem ponto duro nem ruído seco. Um ponto duro que não existia em outubro merece um exame antes da água, não depois.
2. A bateria que dormiu: a pergunta não é «está carregada?»
Uma bateria de lítio descarrega-se lentamente mesmo desligada, e o inverno é longo. A boa pergunta não é saber se ainda mostra carga, mas se a mantém.
O método cabe em dois gestos: uma carga completa à temperatura ambiente — não numa garagem a 6 °C, não ao sol —, depois deixa-se repousar 24 horas e volta a ler-se o nível. Uma bateria que perdeu uma parte visível da carga num dia de imobilidade não o vai trair no cais: vai traí-lo a trezentos metros da costa.
As baterias Sublue carregam-se em 2 a 3 horas consoante o modelo. Se a carga de fim de inverno demorar um tempo anormalmente longo ou se interromper, é um sinal, não um capricho do carregador.
3. Os vedantes: seis meses sem serem comprimidos
É a peça de 3 euros que custa um motor. Um o-ring que passou o inverno a seco endurece ligeiramente e perde flexibilidade. Retira-se da ranhura sem ferramenta metálica — a unha ou uma ferramenta de plástico — e passa-se entre dois dedos a todo o comprimento: procura-se um corte, um achatamento, um ponto áspero.
Limpa-se em seguida a ranhura, e não apenas o vedante. É aí que cristalizou o sal da última saída de setembro, e um grão que fique no fundo impede a compressão uniforme. Uma película fina de massa de silicone e volta a colocar-se. Fina: um vedante afogado em massa escorrega para fora da ranhura ao fechar.
4. Os contactos: procurar o verde e o branco
Limpa-se o excesso de massa para contactos aplicada no outono e olham-se os bornes de perto. Um depósito esverdeado ou um pó branco indicam que a humidade entrou apesar de tudo. Limpa-se, mas convém sabê-lo antes de ligar a corrente, não durante.
5. O primeiro ensaio faz-se em água doce
É a etapa que quase ninguém faz e a mais rentável. Antes do mar: uma piscina, uma banheira, um recipiente suficientemente fundo para submergir o aparelho.
Submerge-se, deixam-se dois minutos, retira-se e abre-se o compartimento da bateria. Procura-se uma única coisa: um vestígio de humidade. Se existir, tê-lo-á descoberto em dez centímetros de água doce em vez de quarenta metros de água salgada.
Logo a seguir: experimenta-se cada velocidade — duas num Mix Pro, três num Navbow — e verifica-se que o gatilho responde de cada vez. Uma única velocidade que não entra são uns dias na assistência em abril, não um verão estragado.
6. A aplicação, a ligação, o ecrã
No Navbow e no Navbow+, o ecrã mostra velocidade, carga restante, modo e cronómetro, e o aparelho liga-se ao telemóvel por Bluetooth. Uma época sem uso basta para perder o emparelhamento ou para deixar passar uma atualização. Restabelece-se a ligação em casa, com calma, em vez de num pontão com pouca rede e água por todo o lado.
Os três erros ao recomeçar
- O jato de alta pressão para «desengordurar» depois do inverno: empurra a água através dos vedantes em vez de os limpar. Fio de água doce, sempre.
- A primeira saída longe da costa. A primeira saída do ano serve para verificar, não para explorar. Fica-se ao alcance de nado.
- Carregar mesmo antes de partir. Uma bateria carregada na véspera e relida de manhã diz muito mais do que uma bateria ligada trinta minutos antes da partida.
Vinte minutos de oficina na primavera e o aparelho aguenta a época. É a melhor relação tempo/tranquilidade de todo o verão.





